Um vaso na janela, uma luz de dentro da casa, nenhuma palavra. A televisão sem som ligada em um noticiário qualquer, a toalha molhada em cima da cama. Não era um pedido de desculpas, tão pouco foi pra ofender. Aguá gelada e um remédio dentro, dentro do copo, dentro da garganta, dentro da aflição rotineira. Horas antes, uma pergunta: não é que era, e não é. A noite vai esmagando as ultimas forças, o relacionamento espera por um fim. Mariana da janela brinca com as flores azuis, toma um decisão. Pedro de cabeça baixa na fria mesa da cozinha só pensa no que não deveria ter dito. O barulho da porta evidencia a separação. Assim se rompe um amor, um companheirismo, um ato sexual. As flores agora estão dentro da sacola, tão sufocadas quanto aquele casal. O copo está espedaçado no chão porém brilhante. O vento contra a janela, o coração contra o peito, o pedro contra o tempo e o vento. A tv aberta, a porta escancarada e a sorte lançada. Ninguém mais em casa, ninguém mas pra dizer que a janela sempre foi a culpada.